sexta-feira, 6 de abril de 2012

Reflexão: Espera. Respira. Pensa.

Fiquei pensando um bom tempo sobre qual deveria ser o meu primeiro post. Revolvi que seria uma reflexão sobre o tempo e nossas conquistas. Muitos poderão discordar de mim, poderão achar que sou romântica. Sei que podem existir diversos agravantes no percurso de cada um. Ainda assim, pelo menos atualmente, acho que tudo depende do quanto você está disposto a batalhar. Qual a sua força para isso...

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O tempo, cronometrado e marcado por mil obrigações como estamos acostumados hoje em dia foi uma construção. O relógio, que chamava ao trabalho, impunha novas regras, novos limites, era objeto do recente capitalismo. No século XVIII, na Inglaterra, o tempo começara a ser pautado pelo horário da fábrica, do serviço, da produção. Os homens indignados ainda tentaram lutar contra esse sistema. Eles possuíam outras prioridades além de trabalhar para a produção em escala. Um aprendiz levava anos para se qualificar na arte de produzir um produto artesanal. No tempo do relógio a espera era perda.

Hoje, a esse tempo do relógio, nós estamos muito acostumados. Esse é o nosso tempo por excelência e talvez, seja até difícil compreender essa palavra de outra forma. Desde jovens temos esse fanatismo pelo tempo e pelas realizações que podemos alcançar nele. Quando crianças o desejo é que o tempo passe para sermos algo por nós mesmos. Quando adolescente esse desejo insensato multiplica-se naquela louca necessidade de “fugir” dos pais. Sair de casa. Estudar fora. Trabalhar.

Fim do ensino médio, você tem que decidir o que ser da vida. E como eu já disse, essa palavrinha tem um grande peso. No Brasil, a nossa relação familiar, diferente de alguns outros países, faz com que os jovens, de modo geral, permaneçam em casa por mais tempo (mesmo que você vá estudar fora, você volta nos fins-de-semana, nas férias...). Ainda assim, quando você se forma do ciclo médio dos estudos, espera-se que faça alguma coisa. Encarar esse fato não é ruim. O problema é a forma como cada um encara essa verdade.

Quando eu resolvi fazer história foi consciente de que eu queria mesmo era estudar – por não ter sido a minha primeira opção já tinha ideia do que era dizer isso. Como toda escolha eu sabia que não era fácil. Todo mundo imagina que quer logo algo que lhe garanta crescimento e dinheiro, afinal essa é a nossa sociedade. Porém, eu vi que trabalhar em algo que eu não quisesse realmente, que não fizesse sentido para mim, era uma ideia catastrófica (mesmo que isso significasse ganhar mais, porém isso foi no meu caso).

Às vezes mais cedo, às vezes mais tarde, muitas são as pessoas que percebem que precisam mudar. Que precisam de um novo gás, de uma nova fonte de energia. Porque sim, hoje em dia, quando a aposentaria fica cada vez mais distante, quando vivemos cada vez mais, o trabalho é também uma fonte de energia. Não digo de amar o trabalho em tempo integral, pois isso é ilusão de românticos. Sempre terá o momento de estresse, cansaço talvez até revolta! Mas viver 30, 40 anos trabalhando com algo que não te satisfaça de alguma forma (tá, nem que seja o dinheiro a sua satisfação!) é o meio mais frustrante de gastar uma história!

Hoje grande parte da vida é gasta com o que trabalhamos. E temos uma expectativa de vida muito maior do que nos séculos anteriores. Então, por mais que o relógio do tempo diga você já está com 30 anos isso não quer dizer que você não possa inovar. Não possa buscar. Essa mania de nos pautarmos no tempo do relógio muitas vezes faz com que nem respiremos, nem pensemos: “O que eu estou fazendo? Eu posso tentar algo mais?”. O ritmo diário da vida moderna faz com que anos se passem e você ache que não é possível mudar.

Eu conheço gente que fez uma faculdade, arrumou emprego, descobriu que não gostava. Mudou de emprego. Fez outra faculdade. Entrou em outra área... E está ganhando muito bem. Por quê? Porque foi atrás.

Eu conheço gente que precisou arrumar emprego antes. Passou em concurso público. Entrou na faculdade depois. Não gostou da faculdade. O que fazer? Desistir de estudar, pois já estava empregado? Não. Lutou. Prestou o que queria. Mudou de cidade. E está muito feliz.

Eu não entendo porque algumas pessoas desistem de estudar. Ah! Se formou em escola pública. Não pode pagar. Sinceramente, essa é uma desculpa que me deixa muito estressada. Porque hoje em dia alguém falar isso é TOTAL falta de informação.

Como eu disse, eu conheço gente! Conheço gente que entrou em universidade paga pelo Prouni. Trabalhava para se sustentar. Estudou. Estudou... Mudou pra universidade pública. Arrumou emprego melhor. Pode oferecer para mãe mil coisas melhores que ela não tinha. E está ai com muito futuro pela frente.

Também conheço gente que também não tinha muito, mas queria só estudar. Estudou em escola pública. Passou para faculdade pública. Meteu na cabeça que quando entrasse o foco era ir para o exterior. Adivinha?

“Ele teve mais oportunidade”. Ai! Está ai uma frase que me dói. Porque oportunidade não é uma coisa que você apenas ganha. É algo que você constrói. Obviamente tem aqueles que ganham oportunidades. Mas se você ficar se preocupando em se corroer de inveja dos outros, realmente não vai chegar a lugar nenhum.

O tempo estava contra você, pois a sua escola não era boa? Bom o tempo passa, mas certamente há muito dele pele frente. Afinal, é isso que não podemos nos esquecer. Não importa o tempo. Se você for atrás muita coisa pode acontecer.

No ramo acadêmico não é tão fácil para você começar a “ganhar bem” (principalmente na área de humanidades!). Mas como eu disse: é tudo questão de escolhas. Na vida sempre é. Só não podemos nos arrepender delas. E caso isso aconteça. É “arregaçar as mangas” e batalhar pela mudança.

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