A História do Brasil tem sob a ditadura uma neblina que não lhe permite discutir muito o assunto. Mesmo na UNICAMP, universidade famosa por estudar História do Brasil, quando se trata da ditadura se esquiva, contorna e vai estudar outras coisas! Até hoje eu ainda achava que essa problemática com a questão da ditadura fosse mais brasileira do que chilena ou argentina.
Atualmente as discussões a respeito da ditadura voltaram a esquentar o cenário da imprensa brasileira e uma rajada de críticas recaiu sob como está sendo levado o debate sobre a “Comissão da Verdade”. Não sendo eu, suficientemente “versada” no assunto para discuti-lo achei que ainda assim era interessante comentar sobre as recentes informações que tive em uma palestra da universidade. Se o Brasil está tendo a sua Comissão agora, a Argentina nunca a teve. O Chile continua com a mesma constituição do período da ditadura.
Comento sobre isso não para entrar num embate sobre o que eles ou nós fizemos, mas para aprendermos a relativizar as coisas. Acho que a imprensa partidária de hoje – onde se você escreve para um jornal é porque se filia a todas suas ideias políticas – dificulta um pouco o processo. Se o jornal é conta o governo acaba “metendo o pau” no que ele está fazendo, sem se importar em ser muito construtivo no que diz.
Nem tudo é “vermelho” ou “azul”. A ditadura não chegou no poder do Brasil contra a vontade de “toda” população. E no Chile ela não foi implantada simplesmente por força e desejo dos americanos. Aliás, eu descobri que no Chile os partidários de Pinochet existem até hoje. Existe no país um Grupo do ditador no qual são realizadas festas e glorificado o período do governante! O que pessoalmente me deixou chocada, mas ainda assim, como eu disse, deve nos servir para pensar (e relativizar) os acontecimentos que na escola parecem tão mais simples! Falar de ditadura certamente causa indigestão em todos os países que viveram um período nela.
A História da América Hispânica sempre me intrigou pelas diferenças com a História do Brasil. Apesar de todos termos as nossas dificuldades em lidar com uma situação, cada um descobre um jeito diferente de fazer isso. Conversando com uma francesa um dia desses ela me perguntou sobre “heróis” brasileiros. Está aí algo a que não somos muito afeitos. Alguém se lembra de um herói brasileiro, tratado realmente como herói? Poxa, a América Hispânica está cheia deles.
Ainda falando sobre o Chile algo que achei interessante e engraçado. Desde o governo Pinochet a universidade do país não é mais gratuita. É publica, mas não gratuita.
Pesquisadora do período Allende esteve em Santiago fazendo suas pesquisas. Numa biblioteca conversando com o bibliotecário deixou-o inconformado ao dizer que ela tinha ido até lá com financiamento do governo. Além de o governo brasileiro pagar para a pesquisadora manter suas atividades em outro país era essa mesma professora docente de uma universidade pública e gratuita.
No outro dia, de volta a biblioteca, o homem disse à pesquisadora que havia chego, na noite anterior, a uma conclusão com seus colegas: Só podia, o Brasil, ser um país comunista!!!!!!!!!!!!!